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A Jesus

João Neves da Rocha

Hoje eu queria falar de Ti, meu Senhor.
Chegaste tão docemente em minha vida, retirando-me da clausura da solidão,
porém não consigo lembrar-me do nosso primeiro encontro.
Não foi propriamente um encontro, hoje sei, pois sinto que sempre estiveste
presente, aguardando o meu despertar.

No principio eu não sabia que Tu podias curar-me as feridas do coração e
apesar da grande alegria que experimentava com a Tua chegada,
entristecia-me saber que não poderias ficar comigo.
Mas Tu sempre voltavas, fazendo-me compreender estares preparando-me para
uma união eterna. Como exulto, Senhor, a esperar a ventura desse dia !

Agora, quando Te vais, já não me aflijo tanto, porque o perfume da Tua
presença se demora comigo.
Outra coisa me ensinaste, Senhor : ir-Te ao encontro e não apenas
esperar-Te no conforto do meu egoísmo.

Comecei a buscar-Te no sorriso dos despreocupados, na voz dos que apenas Te
anunciavam, mas só pude encontar-Te, Senhor, nos olhos dos aflitos, no
descontrole dos amedrontados, na impotência dos desvalidos, na frustração
dos arrependidos, na minha própria dor, que misturei à dor dos meus irmãos.

Meus Senhor, hoje sinto necessidade de clamar que Te Amo, mesmo
reconhecendo que o Amor que existe em mim é a expansão do Teu Amor
fecundando a Terra toda.

Tu hás de santificar este meu afeto para que eu possa doar-me sem exigências.
Tu porás beleza em meus olhos, a fim de que eu possa ver em toda parte os
reflexos da Tua grandeza.
Dar-me-as, Jesus, força à minha voz para que eu possa dizer a todos o
quanto fizeste por mim.