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Oração sem nome

🕯 Prece do Soldado

Meu Deus... Escuta: Jamais falei contigo!
Hoje, quero saudar-te. Bom dia, como vais?
Disseram-me que não existes (e eu, tolo, acreditei).
Nunca havia admirado a tua obra.
Ontem à noite, da trincheira destroçada por granadas, vi o teu céu
estrelado e compreendi então que me enganaram.
Não sei se me apertarás a mão.
Vou Te explicar e hás de compreender.
É curioso: neste inferno hediondo achei a Luz para enxergar o Teu rosto.
Dito isto, já não tenho muita coisa a te contar...
Só que... Tenho muito prazer em conhecer-te.
À meia noite, iremos ao ataque.
Não sinto medo, meu Deus, sei que Tu velas!
Ah! Eis o clarim. Bom Deus, devo ir-me embora.
Gostei de Ti, vou ter saudades...
Quero dizer: Será cruenta a luta, bem o sabes, e esta noite pode ser que
eu vá bater-te à porta!
Muito amigos não fomos, é verdade.
Mas... Sim, estou chorando!
Como vês, meu Deus, penso que já não sou tão mau.
Bem, tenho de ir.
É coisa bem rara a sorte... Juro, porém: já não receio a morte...

Ninguém conhece o autor deste poema. Foi encontrado em pleno campo de batalha no bolso de um soldado americano. Do rapaz estraçalhado por uma granada restava apenas, intacta, esta folha de papel.