Oração do Viandante
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🌱 Repouso da Alma
Alma cansada, abatida na margem do caminho, pára um instante na eterna trajetória da vida, larga o fardo de tuas expiações e repousa.
Ouve como está repleta de harmonias a obra de Deus! O ritmo dos fenômenos irradia doce e grandiosa música. Por meio das formas exteriores, os dos mistérios, da alma e das coisas, observam-se e sentem-se. De teu âmago, o Espírito ouve e compreende. A visão das obras de Deus produz paz e esquecimento; diante da divina beleza da criação, aquieta-se a tempestade do coração; paixão e dor adormecem em lento e doce canto sem fim. Parece que a mão de Deus, através das harmonias do universo, acalenta, qual brisa confortadora, tua fronte prostada pela fadiga e aí se detém como uma carícia. Beleza, repouso da alma, contato com o divino! Então o viandante deprimido reanima-se, com renovado pressentimento de sua meta. Não parece mais tão longa a jornada, tão comprida, quando se pára um instante para dessedentar-se numa fonte.
Então a alma contempla, antecipa e alivia-se na caminhada. Com o olhar fixo no Alto, é mais fácil retomar em seguida o caminho cansativo.
Na estrada dolorosa, pára, enxuga tua lágrima e ouve. O canto é imenso, as harmonias chegam do infinito para beijar-te a fronte, ó cansado viandante da vida. Ao lado do trovão das vozes titânicas do universo, murmuram um sussurro de beleza as delicadas vozes as humildes criaturas irmãs: "Também eu, eu também sou filha de Deus, luto e sofro, carrego meu peso e busco minha vitória. Também eu sou vida, na grande vida do Todo". E tudo, desde o fragor da tempestade, até o canto matutino do sol, do sorriso do recém-nascido ao grito dilacerante da alma, tudo, com sua voz, revela-se a si mesmo e sintoniza com as vozes irmãs; tudo exprime seu mistério íntimo; cada ser manifesta o pensamento de Deus. Quando a dor atinge as mais íntimas fibras do teu coração, ouves uma voz que te diz: DEUS; quando a carícia do crepúsculo te adormece no sono silencioso das coisas, uma voz e diz: DEUS. Quando ruge a tempestade e aterra treme, uma voz te diz; DEUS! E essa estupenda visão supera qualquer dor.
Pára, escuta e ora. Abre os braços à criação e repete com ela:
"Deus, eu te amo"! Tua oração, não mais adimiração amedrontada pelo poder divino, agora é mais elevada: é amor. Oração doce, que brota como um canto que a alma repete, e ecoa de fraga em fraga por toda terra, de onda em onda pelos mares, de estrela em estrela pelos espaços infinitos. É a palavra sublime do amor que as unidades colossais dos universos repetem contigo, em uníssomo com a voz perdida do último inseto, que, tímido, se esconde entre a grama. Parece perdida, e no entanto, Deus a conhece também, a recolhe e ama. No infinito do espaço e do tempo, somente esta força, essa imensa onda de amor, mantém tudo compacto em harmônico desenvolvimento de forças. A visão suprema das últimas coisas, da ordem em que caminham toda as criaturas, dar-te-á sozinha um sentido de paz; de verdadeira paz, de paz profunda, de alma saciada, porque percebe sua mais elevada meta.
Assim Deus afigura-te ainda maior do que em seu poder de Criador, afigura-te na potência de Seu amor. Explode, ó alma! Não temas! O novo Deus da Boa-Nova do Cristo é bondade. Não mais os raios vingativs de Júpiter, mas a verdade que convence, o carinho que ama e perdoa. O abismo infinito que olhas assustado não está lá para engolir-te nas trevas do mistério: abre-se cheio de luz, e no âmago canta sem fim o hino da vida. Lança-te afoito, porque nesse abismo reside o Amor. Não digas: "não sei", dize antes: "eu amo!".
Ora! ora diante das imensas obras de Deus; diante da terra, do mar, do céu. Pede-lhes que te falem de Deus; pede aos efeitos a voz da causa; pede às formas o pensamento e o princípio que as anima a todas. E todas as formas se aglomerarão em redor de ti; estender-te-ão seus braços fraternos, olhar-te-ão com mil olhos feitos de luz, e o eterno sorriso da vida te envolverá como uma carícia. Essas mil vozes dirão: "Vem, irmão, sacia teu olhar interior, busca força na visão sublime. A vida é grande e bela, e mesmo na dor mais atroz e tenaz é sempre digna de ser vivida". E tomar-te-ão pelo braço gritando: "Vem, atravessa o limiar e olha o mistério. Vê: não podes morrer jamais, jamais morrer.
Tua dor passa e com ela sobes, e fica o resultado. Não temas a morte nem a dor: não são o fim, nem o mal, são ritmo da renovação e caminho de tuas ascensões. A vida é um canto sem fim. Canta conosco, canta com toda a criação o canto infinito do amor".
Ora assim, ó alma cansada. "SENHOR, BENDITO SEJAS, SOBRETUDO PELA IRMÃ DOR, PORQUE ELA ME APROXIMA DE TI. PROSTO-ME DIANTE DE TUA IMENSA OBRA, MESMO SE NELA MINHA PARTE É ESFORÇO. NADA POSSO PEDIR-TE, PORQUE TUDO JÁ É PERFEITO E JUSTO EM TUA CRIAÇÃO, MESMO MEU SOFRIMENTO, MESMO MINHA IMPERFEICÃO TRANSITÓRIA.. AGUARDO NO POSTO DE MEU DEVER A MINHA MATURAÇÃO. REPOUSO EM TUA COMTEMPLAÇÃO".
Responde, ó alma, ao imenso amplexo, e verdadeiramente sentirás Deus. Se a inteligência dos grandes prosta-se e venera, curva-se diante do poder do conceito e de sua realização, e aproxima-se do divino pelas cansadas vias da mente, o coração dos humildes atinge a Deus pelos caminhos da dor e do amor. Sente-O pelas estradas dessa sabedoria mais profunda.
Ora assim, ó alma cansada. Descansa a cabeça em Seu peito e repousa.
Ouve como está repleta de harmonias a obra de Deus! O ritmo dos fenômenos irradia doce e grandiosa música. Por meio das formas exteriores, os dos mistérios, da alma e das coisas, observam-se e sentem-se. De teu âmago, o Espírito ouve e compreende. A visão das obras de Deus produz paz e esquecimento; diante da divina beleza da criação, aquieta-se a tempestade do coração; paixão e dor adormecem em lento e doce canto sem fim. Parece que a mão de Deus, através das harmonias do universo, acalenta, qual brisa confortadora, tua fronte prostada pela fadiga e aí se detém como uma carícia. Beleza, repouso da alma, contato com o divino! Então o viandante deprimido reanima-se, com renovado pressentimento de sua meta. Não parece mais tão longa a jornada, tão comprida, quando se pára um instante para dessedentar-se numa fonte.
Então a alma contempla, antecipa e alivia-se na caminhada. Com o olhar fixo no Alto, é mais fácil retomar em seguida o caminho cansativo.
Na estrada dolorosa, pára, enxuga tua lágrima e ouve. O canto é imenso, as harmonias chegam do infinito para beijar-te a fronte, ó cansado viandante da vida. Ao lado do trovão das vozes titânicas do universo, murmuram um sussurro de beleza as delicadas vozes as humildes criaturas irmãs: "Também eu, eu também sou filha de Deus, luto e sofro, carrego meu peso e busco minha vitória. Também eu sou vida, na grande vida do Todo". E tudo, desde o fragor da tempestade, até o canto matutino do sol, do sorriso do recém-nascido ao grito dilacerante da alma, tudo, com sua voz, revela-se a si mesmo e sintoniza com as vozes irmãs; tudo exprime seu mistério íntimo; cada ser manifesta o pensamento de Deus. Quando a dor atinge as mais íntimas fibras do teu coração, ouves uma voz que te diz: DEUS; quando a carícia do crepúsculo te adormece no sono silencioso das coisas, uma voz e diz: DEUS. Quando ruge a tempestade e aterra treme, uma voz te diz; DEUS! E essa estupenda visão supera qualquer dor.
Pára, escuta e ora. Abre os braços à criação e repete com ela:
"Deus, eu te amo"! Tua oração, não mais adimiração amedrontada pelo poder divino, agora é mais elevada: é amor. Oração doce, que brota como um canto que a alma repete, e ecoa de fraga em fraga por toda terra, de onda em onda pelos mares, de estrela em estrela pelos espaços infinitos. É a palavra sublime do amor que as unidades colossais dos universos repetem contigo, em uníssomo com a voz perdida do último inseto, que, tímido, se esconde entre a grama. Parece perdida, e no entanto, Deus a conhece também, a recolhe e ama. No infinito do espaço e do tempo, somente esta força, essa imensa onda de amor, mantém tudo compacto em harmônico desenvolvimento de forças. A visão suprema das últimas coisas, da ordem em que caminham toda as criaturas, dar-te-á sozinha um sentido de paz; de verdadeira paz, de paz profunda, de alma saciada, porque percebe sua mais elevada meta.
Assim Deus afigura-te ainda maior do que em seu poder de Criador, afigura-te na potência de Seu amor. Explode, ó alma! Não temas! O novo Deus da Boa-Nova do Cristo é bondade. Não mais os raios vingativs de Júpiter, mas a verdade que convence, o carinho que ama e perdoa. O abismo infinito que olhas assustado não está lá para engolir-te nas trevas do mistério: abre-se cheio de luz, e no âmago canta sem fim o hino da vida. Lança-te afoito, porque nesse abismo reside o Amor. Não digas: "não sei", dize antes: "eu amo!".
Ora! ora diante das imensas obras de Deus; diante da terra, do mar, do céu. Pede-lhes que te falem de Deus; pede aos efeitos a voz da causa; pede às formas o pensamento e o princípio que as anima a todas. E todas as formas se aglomerarão em redor de ti; estender-te-ão seus braços fraternos, olhar-te-ão com mil olhos feitos de luz, e o eterno sorriso da vida te envolverá como uma carícia. Essas mil vozes dirão: "Vem, irmão, sacia teu olhar interior, busca força na visão sublime. A vida é grande e bela, e mesmo na dor mais atroz e tenaz é sempre digna de ser vivida". E tomar-te-ão pelo braço gritando: "Vem, atravessa o limiar e olha o mistério. Vê: não podes morrer jamais, jamais morrer.
Tua dor passa e com ela sobes, e fica o resultado. Não temas a morte nem a dor: não são o fim, nem o mal, são ritmo da renovação e caminho de tuas ascensões. A vida é um canto sem fim. Canta conosco, canta com toda a criação o canto infinito do amor".
Ora assim, ó alma cansada. "SENHOR, BENDITO SEJAS, SOBRETUDO PELA IRMÃ DOR, PORQUE ELA ME APROXIMA DE TI. PROSTO-ME DIANTE DE TUA IMENSA OBRA, MESMO SE NELA MINHA PARTE É ESFORÇO. NADA POSSO PEDIR-TE, PORQUE TUDO JÁ É PERFEITO E JUSTO EM TUA CRIAÇÃO, MESMO MEU SOFRIMENTO, MESMO MINHA IMPERFEICÃO TRANSITÓRIA.. AGUARDO NO POSTO DE MEU DEVER A MINHA MATURAÇÃO. REPOUSO EM TUA COMTEMPLAÇÃO".
Responde, ó alma, ao imenso amplexo, e verdadeiramente sentirás Deus. Se a inteligência dos grandes prosta-se e venera, curva-se diante do poder do conceito e de sua realização, e aproxima-se do divino pelas cansadas vias da mente, o coração dos humildes atinge a Deus pelos caminhos da dor e do amor. Sente-O pelas estradas dessa sabedoria mais profunda.
Ora assim, ó alma cansada. Descansa a cabeça em Seu peito e repousa.
( Pietro Ubaldi )